Quem não tem coração e atitude de ovelha, não serve para ser pastor. A autoridade provém da submissão e o governo é legitimado pelo serviço.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pastoreio de Pastores: ops!

Sou pastor. E estudei por cinco anos para o ser, contudo antes fiz um acompanhamento vocacional por outros tres anos. Após minha formatura fui acompanhado mais dois anos num período probatório, a fim de ser presbítero da Igreja Metodista. No total foram dez anos de acompanhamento institucional, dos quais somente três foram acompanhados pastoralmente. Esse acompanhamento se deu na igreja local, quando era ainda uma ovelha, no aprisco do Senhor, próximo a casa de minha mãe, próximo da minha família e amigos, na cidade de Goiânia.

Após alguns anos de ministério atuando sozinho como provedor de “respostas”, “conselhos” e “estratégias" para a cura do outro, do próximo me deparo com essa temática que muito mexe comigo tendo em vista que: Quem cuida de mim? Que cuidado eu tenho tido para com meus amigos e colegas? A resposta é muito simples: minha contribuição tem sido pequena, modesta e paliativa em frente aos desafios do homem pós-moderno, em época que as pessoas muito produzem e pouco fazem em favor de si próprias.

Tenho sido dia após dia conflitado em minha prática por pessoas que desistiram de buscar um tratamento em momentos de crises profundas. Acreditar que sou uma espécie de “super homem”, “inquebrável”... isso é um enorme metira. Não sou nada além de um homem que um dia resolveu aceitar um chamado de Deus. Contudo no exercício do chamado somos fadados a acertos e fracassos. Pensando num texto que li compartilho com vocês o que achei interessante. Leia a abaixo:

Aprendendo a Aguardar ou Esperar Biblicamente
Fonte: www.pastoreiodepastores.org.br

Existem três momentos na vida de um filho de Deus: o da derrota, da vitória e de sofrimento e fraqueza. O da derrota e descrito no final de Romanos 7 e o da vitória em Romanos 8. Poucas pessoas entendem que Romanos 8.17-34 descrevem o terceiro momento. Por não entender que existe este terceiro momento, acabam achando-se derrotados quando não estão vivendo na plena vitória do início de Romanos 8.

À luz disso, deixe o Espírito Santo ministrar para você pela tradução de Eugene Peterson (The Message) de Romanos 8.22-29:

“Em tudo ao nosso redor observamos uma criação grávida. Os tempos difíceis de dor no mundo inteiro são simples dores de parto. Mas não estão apenas ao nosso redor, também estão dentro de nós. O Espírito de Deus está acordando-nos por dentro. Também sentimos as dores de parto. Estes corpos doentes e esgotados almejam libertação total. Por isso o aguardar não nos diminui, igual como o tempo de espera não diminui uma mãe grávida. Somos engrandecidos na espera. Nós, claro, não enxergamos o que nos engrandece. Mas o mais que aguardamos, o maior que nos tornamos e o mais alegre que se torna nosso suspenso.

Ao mesmo tempo, o momento que nos cansamos em esperar, o Espírito de Deus está a nosso lado nos ajudando. Se não sabemos como ou o que orar, não importa. Ele ora dentro de nós e para nós, tornando nossos suspiros sem palavras e gemidos angustiantes em orações. Ele nos conhece bem melhor que nos conhecemos a nós mesmos, entende nossa condição grávida e nos mantém perante Deus. Por isso podemos ser tão confiantes que cada detalhe em nossas vidas de amor por Deus está sendo trabalhado para algo bom.

Deus soube o que fazia desde o ponto de partida inicial. Ele decidiu deste o começo formar as vidas dos que o amam na mesma linha que a vida de seu Filho. O Filho se ergue como primeiro na linha da humanidade que ele restaurou. Vemos a forma original e prevista de nossas vidas nele.

No início deste ano, Deus me falou que 2005 seria o ano de aguardar nele. Eu reclamei que já fiz isso, começando desde fevereiro, 2004, quando Débora, minha esposa, foi morar nos EUA para acompanhar Karis no aguardo de um transplante intestinal. [1] Ele me falou que não aguardei biblicamente e queria me ensinar o que era isso. Está me mostrando quatro características de aguardar ou esperar biblicamente, baseado em Romanos 8.22-29.

Primeiro, precisamos reconhecer que estamos grávidos, precisamos enxergar o que foi concebido, o que Deus depositou, o que ele claramente começou antes do momento de sofrimento e fraqueza. Vejo, por exemplo, que Deus depositou na Karis a característica de ser uma pessoa ponte: entre América Latina e América do Norte; entre evangélicos e católicos, estudando na Notre Dame, a melhor universidade católica dos EUA; entre extrovertidos e introvertidos (ela é extrovertida, mas a maior parte de sua vida teve que ser introvertida por falta de saúde e força); entre os Pentecostais que acreditam que Deus sempre cura e não enxergam uma teologia de sofrimento e nossos irmãos mais históricos que tem dificuldade em ver que Deus cura hoje. Ver o que Deus depositou nela me permite aguardar biblicamente que ele complete a boa obra que começou!

Segundo, precisamos reconhecer o que Deus está formando em nós – algo bem além do que foi depositado ou concebido inicialmente. Karis foi para Notre Dame estudar no ramo da medicina, querendo ser uma pediatra missionária na África. Aprendeu francês ao ponto de fazer seu tempo devocional em francês. Mas depois de um ano, a Deã pediu que ela mudasse de especialização por falta de força física, pelas constantes internações e por terminar cada semestre com matérias incompletas. O ramo da medicina era rigoroso demais para ela. Então ela pesquisou as 130 outras especializações da universidade, mas não encontrou nada que correspondesse a ela. Pediu para criar sua própria especialização. Cinco pessoas na história de Notre Dame fizeram isso. Hoje, depois de defender sua tese diante de um painel de professores, a especialização dela é composta por uma combinação de relações internacionais, paz e reconciliação, e jornalismo. Ela está aprendendo a língua árabe porque sente que os maiores problemas mundiais em sua geração estão relacionados ao povo muçulmano. Deus manteve o que depositou nela, e o reformulou através desse período de aguardar nele.

Em terceiro lugar, reconhecer que Deus está formando A NÓS – geralmente através de dor ou sofrimento. Uma cena no filme “A Volta do Rei” de J.R. Tolkien, a última na Série “O Senhor dos Anéis” mostra os fragmentos da espada que ganhou a batalha contra o Maligno em outra época. Eles são guardados num lugar bonito e sagrado dentro de um vidro sobre uma almofada aveludada. A próxima cena mostra a espada completa, brilhando em vermelho pelo calor do fogo e sendo temperada através de dois grandes homens que a martelam com toda sua força. Quem conhece o processo sabe que depois a espada é mergulhada em água gelada antes de ser colocada de novo na fornalha e martelada para temperá-la de novo – repetidas vezes. Mas uma vez forjada, se torna uma arma terrível nas mãos do Rei. Aguardar biblicamente quer dizer saber que Karis está sendo forjada. O sofrimento atual dela não se compara com a glória que será revelada. Pode ser que essa glória inclua o fato dela ganhar a habilidade de sofrer para Jesus em outras circunstâncias futuras.

Em quarto e último lugar, precisamos visualizar o resultado do que Deus está fazendo, enxergando o dia de “nascimento”, não conhecendo os detalhes do que nascerá, mas tendo uma visão crescente. Nossos olhos espirituais podem ver que Jesus está sendo formado em Karis e ela está se tornando mais e mais como ele. Ele é a mostra de nosso futuro se permitimos que ele cumpra seus propósitos através dos tempos de sofrimento e fraqueza.

Que Deus nos libere de uma teologia que apenas vê vitória ou derrota. Que nos libere de nossa tendência de fugir do sofrimento, não percebendo que ele tem propósitos eternos para cumprir nele. Que abra nossos olhos para uma visão de que ele nos chama a aguardar biblicamente nele. Isso não significa aguardar passivamente, meramente jogar tudo sobre ele e “descansar”. A maioria das pessoas passa por sofrimento sem ganhar os seus frutos. O povo de Deus que sofreu no deserto por 40 anos após a saída de Egito ganhou novos olhos e novas habilidades. Entrou no deserto com a mentalidade de dependência, medo e escravidão. Saiu como guerreiro que sabia depender de Deus e fazia todos os povos de Canaã tremerem. Seu chamado de conquistar a terra prometida, não mudou; mas eles mudaram! Aprenderam as lições de aguardar biblicamente, crescendo nas quatro características acima. Que essas verdades possam crescer em cada um de nós, nos tornando guerreiros que revelam o caráter e glória do Rei.

Os sonhos de Deus fazem parte de quem sou. Somente por ele e nEle posso crescer a cada dia, mas não posso tampar o sol com a peneira, preciso também olhar em minha volta, para meus amigos e amigas de vocação, não somente para aqueles que entendemos estarem “mal”, os que já sofrem” mas também para os que ainda não chegarem ao ponto da ebulição. Talvez seja eu amanhã enfrentar essa crise ministerial, familiar, financeira, pessoal, e me pergunto: que irei buscar apoio, auxílio, e forças? Realmente prefiro acompanhar e ser acompanhar, compartilhar e ouvir, impor minhas mãos mas também ter as mãos de pastores/as impostas sobre mim, mãos compromissadas com a continuidade e cura, e não preocupadas com reservas e outras coisas mesmos importantes que nós mesmos.

Um grande abraço, carinhosamente...

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