Quem não tem coração e atitude de ovelha, não serve para ser pastor. A autoridade provém da submissão e o governo é legitimado pelo serviço.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Cura da Malidicência

Por Odilon Massolar Chaves
Pastor da Igreja Metodista do Jardim Botânico, Rio de Janeiro

O nosso texto base de reflexão está em Mt 18:15-17. A partir dele trataremos sobre a cura da maledicência. Para isso, também tomaremos como referência o sermão de John Wesley, pastor e fundador do Metodismo, sobre maledicência, nas páginas 460 a 471, dos Sermões de Wesley, volume 2, da Imprensa Metodista.

Mas o que é maledicência? John Wesley diz: "Não é, como alguns supõem, o mesmo que mentira ou calúnia. Tudo quanto o homem diz pode ser verdadeiro como a Bíblia, e ainda seu falar constituir maledicência." Maledicência é dizer mal de uma pessoa ausente, referindo alguma falta que houvesse sido realmente praticada ou dita por alguém que não se encontre presente quando se faz a referência. É o mesmo que "falar pelas costas."

Para Wesley, murmuração é fazer a referência a um fato "de modo simples e sereno (talvez com expressões de boa vontade para com a pessoa, e com esperança de que as coisas não sejam inteiramente más)."

Esse é um pecado comum. Tanto rico e pobre, o sábio e o insensato têm cometido essa trasgressão. Como estamos rodeados por ele de todos os lados, se não formos profundamente sensíveis ao perigo, e se não nos guardarmos constantemente, estaremos sujeitos a ser levados na torrente. "A maledicência nos ataca sob disfarce, diz Wesley, pois falamos assim por uma uma nobre e generosa (será bom se não dissermos santa!) indignação contra aquelas vis criaturas!

Cometemos pecado por mero ódio ao pecado! Servimos ao diabo por zelo puro de Deus!" Come evitar o laço? Jesus nos ensina, no nosso texto bíblico de refência, um método seguro de evitar a maledicência: "Se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente: se te ouvir, ganhaste a teu irmão. Mas se te não ouvir, leva ainda contigo uma ou duas pessoas, para que por boca de duas ou três testemunhas toda a questão se decida. E se ele recusar ouví-las, dize-o à igreja; e se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano" (Mt 18:15-17).

Se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente. Wesley diz que se você viu com teu próprios olhos um irmão ou irmã cometer pecado, ou ouvires com teus próprios ouvidos, não duvidando, portanto, do fato, "aproveita a primeira oportunidade para ires ao seu encontro."

Wesley adverte ainda ao que irá falar. Ele diz que deve se tomar cuidado para que isso aconteça "num espírito reto e de maneira reta. O sucesso de uma dvertência depende grandemente do espírito com que é feita."

A exortação deve ser feita num espírito de serenidade. São palavras de Wesley: "Vê que fales num espírito de mansidão, assim como de serenidade, porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus". E ainda orienta: "Fala, ainda, num espírito de terno amor. Assim amontarás brasas vivas sobre sua cabeça."

Mas não termina aí a orientação de John Wesley. Ele diz: "Mas vê que a maneira por que fales seja também segundo o Evangelho de Cristo. Evita tudo no olhar, no gesto, na palavra e no tom de voz que tenha o sabor de orgulho ou de suficiência própria. Ponderadamente evita todo ar didático ou dogmático, tudo que resuma arrogância ou presunção."

No relacionamento, na orientação, não deve haver nenhuma sombra de ódio, amargura, aspereza, mas uma linguagem de doçura e delicadeza "para que todas as palavras possam demonstrar que jorram do amor no coração." Mas Wesley nos chama a atenção: "essa doçura não deve, todavia, impedir que fales de maneira mais séria e solene."

Mas e se não tivermos oportunidade de falar pessoalmente com as pessoas? Wesley diz que
podemos falar por meio de uma outra pessoa, "um amigo comum, em cuja prudência, assim como integridade, possas inteiramente confiar. Tal pessoa, falando em teu nome, no espírito e de maneira acima descrita, pode preencher o mesmo fim e, em boa medida, suprir tua falta nesse serviço. Sempre que puderes falar por ti mesmo, será muito melhor."

Mas, que fazer se não pudermos falar nem diretamente e nem por um amigo em quem podemos confiar? Wesley diz que só resta escrever. E haverá algumas circunstâncias que tornem o meio aconselhável. Uma dessas circunstâncias ocorre quando a pessoa com quem temos de tratar é de temperamento tão excitável e impetuoso que não suporte facilmente admoestações, especialmente de alguém que ele julgue um igual ou inferior. "Mas estas obras podem ser apresentadas e abrandadas por escrito, de modo a se tornarem muito mais toleráveis." Segundo Wesley, as palavras escritas não causam violento abalo no seu orgulho nem ferem a honra sensivelmente.
É bom lembrarmos que esse é o primeiro passo que Jesus nos ordena a seguir nesta questão. Ele deve ser dado, em primeiro lugar antes de tentarmos qualquer outra coisa. Para aqueles que não desejam tomar essa atitude de falar com o irmão ou irmã que erraram, ele diz: "Deus te reprova por causa de um pecado de omissão, por não falares a teu irmão acerca de sua faltä." Wesley adverte: "A comodidade comrpada em troca do pecado é um mau negócio."

Wesley diz que só conhece uma excessão a essa regra de denunciar o pecado embora o culpado esteja ausente: para salvar o inocente. Sim, esta regra deve ser quebrada quando estamos a par da intenção de uma pessoa que deseja prejudicar a alguém (a propriedade ou a vida do próximo). Neste caso, "é nosso dever indeclinável, dizer mal de um ausente, para evitar que este faça mal aos outros e ao mesmo tempo a si mesmo." Devemos usar este meio com temor e tremor, pois é um remédio perigoso.

Mas, e se nós formos falar com quem pecou contra nós e ele não nos ouvir? E se retribuir o bem com o mal? E se ele se irritar em vez de se convencer? Pra começar, Wesley diz que devemos esperar constantemente por isso. Mas a bênção que nós desejamos para a pessoa que errou voltará ao nosso próprio coração.

Jesus nos orienta a seguir um segundo passo: "toma contigo um ou dois mais". Que eles sejam amáveis, amigos de Deus e de seu próximo. Devem ser também de espírito sincero, humildes, mansos, delicados, pacientes, longânimos, incapazes de retribuir o mal com o mal. Que sejam pessoas de entendimento, dotados de sabedoria do alto, livres de parcialidade, livres de preconceitos, etc.

"O amor ditará a maneira pela qual devam proceder", diz Wesley. Essas pessoas devem ouvir de tua própria boa as palavras que você falou na primeira conversa. Assim, essas pessoas serão mais capazes de ter um reto procedimento, saber a melhor maneira de agir. E se mesmo assim a pessoa em questão não nos ouvir? Bem, Jesus nos deu um outro passo a seguir: "dize-o à Igreja". Wesley entende que Jesus não está falando que o assunto deve vir a público, ou seja, a toda conrgegação, pois não teria "nenhum fim apreciável contas as faltas individuais de um membro à toda Igreja". Então, resta dizê-lo ao presbítero(s) da Igreja, àqueles que são os pastores do rebanho de Cristo, a quem ambos pertenceis, que velam sobre a tua alma e sobre a dele."

Wesley diz que "quando tiverdes feito isto, terás libertado tua própria alma". Devemos entregá-lo a Deus, em oração. Jesus disse: "seja ele para ti como um gentio ou publicano", ou nas palavras de Wesley, "não tens obrigação de pensar dele nada mais a não ser quando o encomendares a Deus em oração".

Devemos ter cortesia, bondade para com ele, quando for preciso, "mas não tenhas amizade, nenhuma intimidade com ele; nenhuma outra relação do que a que deves ter com um gentio conhecido como tal". Wesley adverte aos Metodistas: "Se, pois, alguém começar a dizer mal a teus ouvidos, repele-o imediatamente. Recusa-te a ouvir a voz do encantador..."

Devemos recusar ouvir, mesmo que ele "use de maneiras delicadas, de doce melodia, com os melhores protestos de boa vontade para aquele a quem está assassinando no escuro, para com aquele que está ferindo sob a quinta costela! Recusa-te resolutamente a ouvir, embora o maldizente se queixe de estar sobrecarregado, enquanto não fale".

Wesley conclui: "Expulsai a malediência, o falatório, a murmuração: que nenhuma dessas coisasproceda de vossa boca". "Um metodista, diz Wesley, não censura a ninguém pelas costas. O Senhor habilitou a amarmo-nos assim uns aos outros, não apenas de palavra e de língua, mas em obras e em verdade, assim como Cristo nos amou!"

Relacionamentos Truncados

“O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado.” (Mt 12:35-37)
     
Dentro do lar, principalmente devido à convivência, pelo fato de estarmos continuamente tendo que nos relacionar com os nossos familiares, diariamente existe uma tendência de usarmos palavras que podem ao longo dos anos desunir, distanciar, separar-nos das pessoas que amamos, pessoas especiais para nós e para Deus.
     
Você mesmo amigo(a) internauta já deve ter tido em um momento ou outro o desprazer de ter usado, palavras, expressões que magoaram alguém. Talvez você o fez impensadamente, ou intencionalmente por estar estressado, chateado com alguma coisa. O fato é que as palavras saíram de sua boca e você não teve jeito de fingir ou disfarçar que nada foi dito.
     
Efésios 4:29 a Palavra de Deus nos adverte que: “de nossa boca não deve sair nenhuma palavra torpe, más só a que for boa para promover a edificação, conforme a necessidade, para que beneficie aos que a ouvem”. O próprio Jesus nos adverte em nosso texto base que: “de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado”. Em Pv. 14:23: lemos: “meras palavras leva a penúria”.
     
Algumas pessoas se desculpam pelo fato de às vezes, por possuir pouca cultura também acharem que podem ser mal educadas no trato das palavras, tornando assim os relacionamentos conflitivos. Outras se culpam pelo seu temperamento tempestuoso, porém é bom observarmos que com um pouco de bom senso e com a presença de Deus na vida, o vocabulário familiar pode mudar para melhor.
     
Como é agradável aos ouvidos presenciarmos um marido elogiando a sua esposa; Um pai falando bem de seus filhos; Os filhos por sua vez praticando um bom relacionamento com seus pais e irmãos e assim por diante.
     
Infelizmente o uso das palavras tem chegado a níveis insuportáveis. Os palavrões, os xingamentos fazem parte da rotina de grande parte das famílias neste mundo. É comum observarmos pais depreciando seus filhos. Usando palavras frívolas como: “Seu burro, seu idiota, você não vale nada”. “Você não é ninguém, é um zero à esquerda”. Vermos também a esposa gritando com o seu marido de: “irresponsável, frouxo, otário, medíocre, bobão”, etc, ou o marido em seu machismo chamando a sua companheira de “vagabunda, falsa, mulher infiel e vadia, louca, doida, etc.”
     
O pior que o mau uso das palavras tem frustrado bons relacionamentos e estes não ficam só no âmbito dos lares, porém tem chegado com força à Igreja de Deus. Lideranças que se agridem com palavras de duplo sentido e de baixo nível. Ovelhas desmerecendo o seu pastor, fofocando sobre a sua vida, família e ministério. Entrando em assuntos que não lhe dizem respeito na maioria das vezes. Pastores desacatando suas ovelhas. Irmão contra irmão usando palavras inadequadas para se degradarem, se machucarem, se magoarem.
     
Veja bem. Nesta oportunidade eu gostaria de ter a liberdade de dar alguns conselhos práticos para melhorar relacionamentos  que estão truncados por um motivo ou outro.

     1. Antes de proferir qualquer palavra a  quem quer que seja pense várias vezes o que vai dizer e a forma como deve dizer. Verifique se o que você vai falar produzirá edificação, ou se a mesma vai trazer confusão, mal entendido.
     2. Peça perdão sempre que errar com alguma pessoa ou grupo de pessoas. Pedir perdão é um ato de humildade que será galardoado por Deus se o fizer de coração arrependido, sincero e com discernimento.
     3. Use palavras só para abençoar nunca para amaldiçoar quem quer que seja, nem pessoas que você julga inimigas. Forme novos hábitos. Comece sempre o seu dia abençoando principalmente de uma maneira especial as pessoas que vivem debaixo do mesmo teto com você.
    4. Procure não revidar quando alguém lhe disser impropérios ou degrade a sua pessoa. Há um ditado popular que diz: “Que não se deve levar desaforos pra casa”. Se você é cristão legítimo “você além de levar os tais desaforos, terá a responsabilidade diante de Deus de perdoar todos os que virem a lhe ofender e ainda orar por estas pessoas.”
     
Tenha como lema o versículo 6 do capítulo 4 do livro de Colossenses –  “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como deveis responder a  cada um.”
     
Amigo/a lembre-se de que: “Quem vai nos justificar ou condenar, quando  estivermos diante de Deus no juízo, serão as nossas palavras, pois Jesus nos adverte que: “Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado.” Veja o que o Salmista nos adverte em Sl.19:14 - “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!”
    
Que Deus te abençoe meu/minha querido/a, carinhosamente, do seu amigo e pastor...

Quem mora na sua casa? Betel ou Bete-Áven?

- por Dennis Allan


Abraão adorou a Deus naquele lugar. Jacó, depois de um encontro com Deus, deu ao local um nome de signficado especial. Samuel julgou Israel no mesmo lugar. Elias e Eliseu passaram por lá em sua última viagem juntos. Mas, Jeremias disse que Israel envergonhou-se do mesmo lugar. Betel, uma cidade localizada 20 km ao norte de Jerusalém, tem uma história cheia de significado. Faremos bem aprendendo e aplicando em nossas vidas as lições de Betel.

Abrão Adora em Betel
Abrão deixou Ur dos caldeus e subiu o vale do Rio Eufrates até Harã, onde seu pai faleceu. De Harã, ele virou para o sul e seguiu em direção à terra de Canaã. Parou em Siquém, e depois edificou um altar entre Ai e Betel, onde “invocou o nome do Senhor” (Gênesis 12:8). Abrão continuou a sua jornada ao sul e estabeleceu residência no Neguebe. Passou algum tempo no Egito e voltou novamente para o Neguebe, de onde fazia viagens a Betel para invocar o nome de Deus (Gênesis 13:3-4). Betel, para o patriarca Abrão, foi um lugar de encontro com Deus. Tornou-se a casa de Deus.
   
Jacó Encontra Deus em Betel
Embora o autor de Gênesis tenha usado o nome Betel quando falou de Abrão, a cidade adotou esse nome duas gerações mais tarde. Quando a contenda entre Jacó e Esaú chegou ao ponto de o mais velho querer matar o mais novo, Jacó fugiu de sua terra e procurou seus parentes em Padã-Arã. No final do primeiro dia de viagem, ele parou em uma cidade chamada Luz. Durante a noite, Deus apareceu a Jacó e lhe mostrou uma escada da terra ao céu, pela qual anjos desciam e subiam. Deus repetiu a Jacó as três partes da grande promessa feita a Abrão em Gênesis 12: Terra prometida; Povo numeroso; Bênçãos para todas as famílias da terra por meio de seu descendente. Quando acordou, Jacó disse: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos céus”. Jacó mudou o nome do lugar, chamando-o de “Betel”, que significa “casa de Deus” (Gênesis 28:1-22).

Jacó habitou 20 anos em Padã-Arã. Casou-se, teve filhos e tornou-se rico. Quando voltou para sua terra, ficou algum tempo em Siquém. Quando Deus o chamou para voltar a Betel, Jacó mandou que todos de sua família se purificassem antes de subir à casa de Deus. Ele fez um altar e o chamou de “El-Betel”, que significa “Deus da Casa de Deus” (Gênesis 35:1-7).   

Nós, também, devemos nos purificar antes de nos aproximarmos de Deus. Ele é luz, e não mantém comunhão com as trevas. Devemos jogar fora “toda impureza e acúmulo de maldade” (Tiago 1:21) e nos purificarmos “de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2 Coríntios 7:1).

Betel: A Casa de DeusA importância de Betel como um lugar de encontros com Deus continuou por mais de 800 anos, até o início do reino de Israel. Era um dos lugares onde Samuel julgava o povo (1 Samuel 7:16). Quando Saul foi ungido rei, encontrou homens que estavam “subindo a Deus a Betel” (1 Samuel 10:3).   

Quando pensamos em Betel, da chegada de Abrão em Canaã até a época dos reis, pensamos na casa de Deus, um lugar especial de encontros entre homens de fé e seu Criador.

Uma Mudança Triste
Infelizmente, Betel perdeu a honra de ser a casa de Deus. Jeremias, escrevendo 400 anos depois de Samuel, disse que “a casa de Israel se envergonhou de Betel” (Jeremias 48:13). Por quê? O profeta Oséias, um século antes de Jeremias, explica o motivo dessa triste mudança. Repetidamente, Oséias se refere a Betel com outro nome, “Bete-Áven”. Veja as palavras desse profeta: “...não subais a Bete-Áven...” (4:15); “Levantai gritos em Bete-Áven” (5:8). Em vez de Betel, Oséias usa esse outro nome. Bete-Áven quer dizer “Casa do Nada” ou “Casa de Vaidade”. Como é que a Casa de Deus tornou-se a Casa do Nada? Oséias explica: “Os moradores de Samaria serão atemorizados por causa do bezerro de Bete-Áven... e os sacerdotes idólatras tremerão por causa da sua glória, que já se foi.... Israel se envergonhará por causa de seu próprio capricho.... E os altos de Áven, pecado de Israel, serão destruídos...” (10:5-8). O pecado, a idolatria e, especificamente, o bezerro de ouro foram motivos para o declínio de Betel. A casa de Deus tornou-se a casa de vaidade. O Senhor não habitou mais na cidade onde Abrão, Jacó, Samuel e outros o encontravam. Ele foi expulso de sua própria casa.

O Pecado de JeroboãoO fato mais marcante na triste história de Betel aconteceu nove séculos antes de Cristo, logo após a morte do rei Salomão. Devido à infidelidade de Salomão, Deus tirou uma boa parte do reino que pertencia aos reis descendentes de Salomão, e a deu nas mãos de Jeroboão. Este começou a reinar sobre as dez tribos do norte, conhecidas coletivamente como Israel ou Samaria. Deus prometera estabelecer o reinado de Jeroboão, se o mesmo fosse fiel: “Se ouvires tudo o que eu te ordenar, e andares nos meus caminhos, e fizeres o que é reto perante mim, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como fez Davi, meu servo, eu serei contigo, e te edificarei uma casa estável, como edifiquei a Davi, e te darei Israel” (1 Reis 11:38).

Em vez de confiar na promessa de Deus, Jeroboão procurou seus próprios meios para segurar o poder sobre Israel. Ele ficou preocupado com as viagens periódicas dos israelitas a Jerusalém, o centro de adoração a Deus no Antigo Testamento. Imaginou que a influência de seus irmãos do sul provocaria uma rebelião e faria com que o rejeitassem como rei. Para evitar tal acontecimento, Jeroboão introduziu uma série de mudanças nas práticas religiosas do povo (1 Reis 12:25-33): Ele mudou os símbolos religiosos. Em vez de representar a presença de Deus com a arca da aliança, Jeroboão fez dois bezerros de ouro, repetindo o pecado cometido por Arão logo após a saída do Egito (Êxodo 32).  Mudou o lugar sagrado. Deus havia escolhido Jerusalém como o lugar de adoração para os israelitas. Jeroboão, para evitar que o povo voltasse para o território de Judá, escolheu Betel e Dã. Mudou o sacerdócio. Deus especificou sacerdotes da tribo de Levi, mas Jeroboão consagrou sacerdotes de outras tribos. Jeroboão mudou o calendário religioso. Havia festas importantes em Jerusalém em diferentes meses do ano, incluindo uma que começava no dia 15 do sétimo mês. Mas Jeroboão escolheu o décimo quinto dia do oitavo mês para a sua festa, sem nenhuma autorização divina. (...)
   
Outros “Betel”?
O caso de Betel e de seu pecado é único na história do povo de Deus? Infelizmente, não. Consideremos outras casas de Deus.

O templo em Jerusalém representou a presença de Deus no meio do povo a partir do reinado de Salomão. Mas por duas vezes, Deus deixou a sua casa devido ao pecado do povo. Ezequiel, nos capítulos de 8 a 10, mostra como Deus foi expulso quando o povo encheu a casa com idolatria, perversidade e corrupção.

A igreja de Jesus é a casa de Deus (1 Coríntios 3:16-17; 1 Timóteo 3:15). Mas, da mesma forma que o povo do Velho Testamento desviou-se do Senhor, hoje, igrejas podem abandonar o caminho e perder a sua comunhão com Deus (Apocalipse 2:5; 3:3; etc.). A Casa de Deus pode ficar deserta.

O cristão é o templo do Senhor (João 14:23; 1 Coríntios 6:19-20). Para manter a nossa comunhão com Deus, temos de amá-lo e guardar a sua palavra. Se voltar ao pecado e recusar a se arrepender, perderá a sua esperança (Hebreus 10:26-31). Deus ainda pode sair de sua casa.

Quem Mora na Sua Casa?

Jesus quer habitar em nós. Para isso, é necessário crucificar o velho homem egoísta e deixar Cristo viver em nós (Gálatas 2:19-20). Dependemos totalmente de Jesus? Deixamos Deus dominar completamente a nossa vida? Ou expulsamos o Senhor de uma casa cheia de pecado, perversidade e egoísmo? Deus não divide a casa com as trevas (leia Colossenses 3:1-10).

Você pode, honestamente, chamar-se de Betel, ou de Bete-Áven? Quem mora na sua casa?

Você, eternamente, pretende morar na casa de quem?