Quem não tem coração e atitude de ovelha, não serve para ser pastor. A autoridade provém da submissão e o governo é legitimado pelo serviço.

sábado, 25 de junho de 2011

A doutrina e o Povo Chamado Metodistas

Por James V. Heidinger II

O debate tem sido renovado, nos meses recentes, sobre a função da doutrina para os Metodistas Unidos. Qual o lugar, por exemplo, da doutrina cristã ortodoxa na nossa igreja? Durante anos, ouvimos que nós não somos uma igreja doutrinária; que os Metodistas têm estado mais interessados na "obra da fé, através do amor"; que os Metodistas têm sido sempre mais experimentais do que doutrinais; que a doutrina não teria as bases para uma ação jurídica ou para a coerção. 

Existe verdade, em algumas dessas afirmações, sem dúvida. Em 1952, os bispos da Igreja Metodista disseram, no discurso daquela Conferência Geral anual, que "Nossa teologia nunca foi um sistema doutrinal organizado particular. Nós nunca insistimos na uniformidade de pensamento ou declaração". Entretanto, os bispos disseram nesse discurso: "Existem grandes doutrinas cristãs que nós certamente mais abraçamos e firmemente acreditamos". Comentando nesse discurso, o Bispo Nolan B. Harmon disse: "Os Metodistas têm sempre vigorosamente rejeitado a idéia de que o Metodismo é simplesmente 'um movimento', com uma doutrinal informal". (Entendendo a Igreja Metodista Unida, Abingdon, 1974).


Uma história resumida das reivindicações não doutrinárias.  

A tradição oral reivindicando que o Metodismo é uma igreja não doutrinária tem uma história que alcança o passado, pelo menos, no início do ano de 1900, o tempo da controvérsia fundamentalista/modernista. O Metodismo, naquela ocasião, tinha justamente experimentado a controvérsia desagradável a respeito de suas mensagens de santidade. A Conferência Geral tomou providência, em 1894, para trazer a santidade evangelista, debaixo do estrito controle da igreja.  Muitos deixaram o Metodismo para formar não menos do que dez diferentes grupos de santidade. Eles acreditaram que a Igreja Metodista não estava sendo fiel ao entendimento de Wesley sobre santificação e amor perfeito.

Em face da controvérsia amarga, que começa a surgir encima do debate fundamentalista/modernista, o Metodismo estava determinado a evitar mais divisão. O resultado foi que o Metodismo se moveu, ainda mais longe, do credo cuidadoso, e formulação doutrinária, para uma disposição de abertura maior, tolerância, e ênfase, no amor cristão, na ação. Havia também o sentimento de que, com tantos problemas sociais urgentes, nas cidades americanas crescentes, o debate teológico poderia impedir a igreja de satisfazer as necessidades humanas. 


Isto conduziu para uma crescente antipatia em direção aos credos, uma mostra do que poderia ser visto na literatura periódica de 1910-1920. A tendência claramente era deslocar o foco dos credos para as necessidades humanas. A.H. Goodenough escreveu, na Methodist Review, em Novembro de 1910: "Os credos tiveram sua época. Eles agora não são mais efetivos. Sem dúvida, eles foram mal planejados. Possivelmente, eles fizeram algum bem — mas certamente causaram muito prejuízo. A igreja tem sido leal aos seus credos, e gastou muito sangue e bons cérebros na defesa deles. Tudo isso foi considerado a própria essência do Cristianismo. Era uma brincadeira de criança, como nós a vimos agora, e em algumas circunstâncias, paganismo... Os credos foram retirados dos museus e rotulados 'Obsoletos'". 

Prevendo divisão e disputa, ao seu redor, a respeito das controvérsias fundamentalistas/modernistas, os Metodistas estavam mais do que prontos a relaxar a atenção deles sobre os credos e formulação doutrinária. Um pastor de Nova York, Philip Frick, escreveu, com quase júbilo, um artigo intitulado, "Por que a Igreja Metodista Está Tão Pouco Perturbada pela Controvérsia Fundamentalista", (Methodist Review, 1924), na qual ele justifica como sendo a falta da afirmação do credo dogmático do Metodismo.  

Evidências posteriores da crescente antipatia à formulação do credo, naquela ocasião, podem ser vista na mudança dos requerimentos para membros. Em 1864, a Igreja Episcopal Metodista requereu que os membros subscrevessem os Artigos da Religião. Esse requerimento foi removido em 1916. A crença nos Credos dos Apóstolos continuou a ser requerido, depois de 1924, assim como foi incluído no ritual batismal, mas ele, também caiu em 1932. 


Pode bem ter sido em resposta à queda do Credo dos Apóstolos, na Conferência Geral de 1932, como também à preferência popular, pelo uso do novo Credor Social, em vez dos credos teológicos, que conduziram ao artigo de alarme de Edwin Lewis sobre "A Apostasia Fatal da Igreja Moderna". Lewis, um professor da teologia sistemática, no Drew Theological Seminary, escreveu palavras picantes em resposta a essas mudanças: "Mas no que a igreja moderna acredita? A igreja está se tornando sem credo, tão rapidamente quanto os inovadores podem ter seu caminho. A 'Confissão de Fé' — o que aconteceu a ela? Ou o que aconteceu a respeito das confissões 'novas' que alguém vê e ouve — adequadas o suficiente, alguém imagina, por assim dizer, a uma ordem fraternal? E com respeito aos 'Credos dos Apóstolos' — 'nosso povo não irá pronunciá-los mais': o que significa, aparentemente, que 'nosso povo, tendo algumas dificuldades a respeito do Nascimento da Virgem e a ressurreição do corpo, tem elegido o caminho fácil de acreditar em nada, afinal — certamente não na 'Santa Igreja Católica'". (Religion in Life, Outono de 1933).

Então, essa época viu uma transição das preocupações doutrinárias e teológicas, para um novo interesse crescente no ministério social, se não, preocupação com ele. A igreja focou, não no conteúdo da fé, porque isto poderia ser divisor, mas, preferivelmente sobre o amor cristão na ação, através do ministério social. Essa desatenção á teologia pode ter sido parcialmente responsável pela trágica suscetibilidade do Metodismo à influência da teologia liberal e à filosofia alemã que encontraram rapidamente um lar em nossos seminários Metodistas.  

O mover para longe da doutrina durante esse período também impediu a cobertura natural para os pastores que foram treinados na teologia liberal emergente. Muitos puderam se render aos elementos supernaturais da fé apostólica — O Nascimento Virgem, a deidade e milagres de Jesus, e sua ressurreição do corpo — e continuaram no ministério, sem falar muito sobre essas coisas. O ministério social na definição teológica estava em desacordo. 

Isso nos ajuda a entender a tradição oral que chega até nos hoje. É esta: o Metodismo Unido não é uma igreja de credo; nós vivemos em um mundo de mudança, e as doutrinas que usamos para ensinar podem não ser pertinentes hoje. E mais recentemente, companheiros, em uma Conferência anual foram advertidos, por carta, de um "movimento em direção oposta de um entendimento, da expansão e da constante mudança de Deus, guiado pelo Espírito Santo". É claro, "um entendimento de Deus em expansão e em constante mudança" nunca poderia ser expresso, em um credo ou formulação tradicional, porque ele estaria sendo mudado para sempre. O que melhor poderia ser adquirido por eles seria uma lista das "Afirmações do mês", mas não "a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos". (Judas 3) "Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé, que uma vez por todas foi entregue aos santos". 

Buscando novamente a nossa tradição Wesleyana.

Mas a tradição oral é realmente nossa tradição teológica Wesleyana? Alguém entende que nós temos violentado Wesley e o Metodismo americano com tais imundícies e ambigüidade.


Charles Yrigoyen, Jr., em seu livro de ajuda, Questões de Crença (Abingdon, 2001), lembra-nos que a doutrina da igreja nos ajuda a entender a mensagem bíblica, de uma maneira "mais clara, completa, e mais organizada", e, assim, nós podemos comunicá-la mais efetivamente. Desastrosamente, muitos Metodistas Unidos hoje, não entendem realmente aquela mensagem. Ele também nos lembra que a doutrina oficial da igreja "nos protege contra os ensinamentos falsos e subversivos". Os Pastores têm a responsabilidade de alimentar suas ovelhas e estarem certos de que elas não estão pastoreando em pastos tóxicos.

A convicção certamente importou para John wesley, a despeito das reivindicações dos revisionistas. Wesley insistiu na fidelidade doutrinária. Em 1763, Wesley traçou um Modelo de Ação, no qual estipulou que os púlpitos das capelas Metodistas fossem usados por pessoas que pregavam apenas essas doutrinas contidas nas Notas do Novo Testamento de Wesley, e seus quatro volumes de sermões. Se um pregador não estava de acordo, ele era substituído em três meses. Wesley poderia nunca teria feito pouco caso dos relatórios de um pregador errante por dizer, como fazem muitos hoje: "Bem, nós Metodistas pensamos e deixamos pensar". (Ele disse isso, evidentemente, no seu sermão, O Caráter de um Metodista, mas vamos citar sua sentença completa: "Mas assim como em todas as opiniões, que não golpeiam a raiz do Cristianismo, nós pensamos e deixamos pensar").

Enquanto Wesley tinha um sopro renovador do Espírito ao redor dele, havia doutrinas que ele considerou como essencial para a fé. Robert Chiles, contribuindo com o teólogo Metodista, Colin Williams, lista as doutrinas que Wesley insistiu, nas diversas vezes, em seu ministério, como "o pecado original; a deidade de Cristo; a redenção; justificação pela fé apenas; a obra do Espírito Santo (incluindo o novo nascimento e santidade); e a Trindade" (Chiles, citando o livro de Colin Williams, A Teologia de Wesley Hoje). Isso é simplesmente o Cristianismo apostólico.

Sim, nós Metodistas Unidos levamos a doutrina muito seriamente. Cada pessoa, buscando tornar-se um membro do clero dentro de nossa denominação, é perguntada, de acordo com o Livro da Disciplina, Parágrafo 327: "(8) Você estudou as doutrinas da Igreja Metodistas Unidos? (9) Depois de um exame completo, você acredita que nossas doutrinas estão em harmonia com as Escrituras Sagradas? (10) Você irá pregar e mantê-las?". Espera-se que os candidatos dêem uma resposta afirmativa. 



A igreja, de fato, leva a doutrina, a serio, o suficiente para que um bispo, membro do clero, pastor local ou ministro diácono possam ser responsabilizados formalmente pela "disseminação das doutrinas contrárias aos padrões estabelecidos da doutrina da United Methodist Church" (Disciplina, Parágrafo 2624. 1f), que pode conduzir a um processo. A doutrina não é tangencial ao povo chamado Metodistas. 



Alister McGrath, professor em Oxford, tem alertado que "a desatenção para com a doutrina priva a igreja da razão de sua existência, e abre um caminho para a escravização e opressão pelo mundo". Certamente, a atenção à doutrina irá ajudar os Metodistas Unidos a entenderem que nossos padrões doutrinários não são, e nunca foram, e nunca deverão ser, "expandidos e em constante mudança".  Isto poderia ser um avalista da confusão continua e declínio posterior. 

Um comentário:

  1. Amém, que você continue semeando a pura palavra de Deus!
    http://www.esbocosermao.com/

    ResponderExcluir